Cada vez mais as pessoas estão utilizando suplementos com a intenção de acelerar o metabolismo e assim, supostamente, garantir perda de peso. A especialista na área de nutrição esportiva doutora Tânia Rodrigues diz que os suplementos, chamados de termogênicos, podem ajudar na perda de peso, mas o mais importante é combinar a prática de exercícios com dieta adequada. A seguir, as considerações da especialista.

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Quanto seria ideal perder por semana?

É importante salientar que a perda de peso ocorre sempre que o gasto energético ultrapassa a ingestão energética. Sendo assim, a combinação entre o exercício a uma dieta adequada pode remodelar o corpo, e deixá-lo esteticamente melhor e mais saudável. O ritmo de perda de peso em programas de redução de massa corporal deve ser de 0,5 kg a 1 kg por semana, devidamente aconselhados e monitorados por um profissional, através da ingestão calórica reduzida com a escolha de alimentos de baixa densidade energética e pobre em gordura.

Os suplementos ajudam a queimar mais gordura?

Estes suplementos são classificados como “termogênicos”, e são substâncias com ação estimulante que podem aumentar a temperatura corporal, durante um exercício prolongado, ocasionando uma maior queima de calorias e reduzindo o apetite. A composição química destes produtos muitas vezes contém substâncias ou nutrientes que auxiliam na metabolização de gorduras, convertendo-as em energia disponível para o nosso organismo. No entanto, modificações no estilo de vida -incluindo uma dieta equilibrada e saudável e a prática regular de atividade física – são a base do sucesso para a perda e manutenção de peso a longo prazo, já que também as evidências que comprovam a eficiência desses produtos são limitadas.

Os suplementos aceleraram o metabolismo?

Estudos indicam que suplementos termogênicos são efetivos no aumento do gasto energético em jovens sadios. Pesquisas apontam que a efedrina isolada ou combinada com a cafeína tem um potencial significante no aumento do gasto energético.

Há efeitos colaterais?

A ingestão desses suplementos também resulta em um aumento significante da frequência cardíaca e pressão arterial, desidratação, insônia, perda de massa muscular e desequilíbrio hormonal. No Brasil, estes produtos têm venda proibida. A cafeína isolada tem venda permitida e cada indivíduo tem sua dosagem limite para evitar os efeitos colaterais.

Alguns componentes ativos, suas ações e efeitos adversos: a quitosana reduz a absorção de gordura, e a evidência disponível na literatura indica que existem consideráveis dúvidas sobre a sua eficiência na redução de peso em humanos. Efeitos adversos afetam o sistema gastrintestinal causando flatulência e obstipação. Estudos mostram que a efedrina promove uma modesta perda de peso, porém seu uso é associado com sintomas psicológicos, autonômicos, gastrintestinais e palpitações. O citrus aurantium é um extrato da laranja usado com alternativa segura em produtos para perda de peso, mas pode ter efeitos adversos sobre a saúde: contém sinefrina, que possui estrutura semelhante à epinefrina, podendo aumentar a pressão arterial.

Existem poucas evidências na sua eficiência no auxílio da perda de peso, pois seu efeito só acontece com altas doses. Estudos mostram que o consumo de cafeína pode promover um aumento nas taxas metabólicas em indivíduos, aumentar a lipólise (quebra de gordura), oxidação de gordura e reduzir a quebra de glicogênio (estoque de glicose no músculo). Porém, é necessário consultar um profissional, pois o consumo de cafeína pode aumentar a pressão arterial, causar insônia e outros efeitos adversos no sistema gastrointestinal.